agosto 16, 2007

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PRESENÇA

agosto 10, 2007

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana


“Frente a frente”

agosto 8, 2007

“Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
– e é tão pouco! ”

Eugénio de Andrade

Colaboração: Edgardo – Cintra/Portugal


MENSAGEM DO DIA

agosto 8, 2007

” FAZ-ME PEQUENO SENHOR, PARA QUE EU POSSA

CABER EM TEU CORAÇÃO

FAZER MORADA ENTÃO

E NELE EU ME PERDER

E NUNCA MAIS ME ENCONTRAR.

E QUANDO ALGUÉM

VIR ATÉ MIM,

SOMENTE TU IRÃO ACHAR.”

Antonio Braga


Saudade – Pablo Neruda

agosto 8, 2007

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


LIÇÃO DE VIDA

agosto 7, 2007

Quando penso que não me surpreenderei com mais nada, a vida apresenta surpresas que nos ensinam. Porque de todo modo, todos nós, somos um pouco egoístas, soberbos, impacientes e ignoramos as coisas boas que aparecem. Talvez o fato de acotecer tantas coisas ruins no mundo, ficamos cegos às coisas boas.

Ontem, quando estava numa  rodoviária, aprendi mais uma lição e resolvir compartilhar com todos através desse Blog.

Estava aguardando o ônibus e um senhor, um portador de necessidade especial, sentado numa improvisada cadeira/cama de rodas, pedia esmolas. Era um sujeito simpático, deixava transparecer no olhar algo de alegre apesar da sua situação. Abordou a mim e outras pessoas pedindo um trocado. alguns tinha outros não e do mesmo jeito agradeceu e abençoou a todos. Passado alguns minutos, este senhor estava parado e observou que uma criança estava sozinha aguardando os pais numa fila. ele, de maneira bem simples, abriu sua pequenina bolsa, tirou uma bala e ofereceu ao garotinho. este não se intimidou. Pegou a bala agradeceu àquele senhor e saiu sorrindo.

Quando que imaginamos que alguém, com certeza mais necessitado que nós vai se preocupar em repartir o pouco que tem. É, nos enganamos, pois pensamos que somente nós podemos ter gestos de nobreza. Que apenas nós que nos consideramos perfeitos, saudáveis, sem necessidades básicas, sem nehuma carência, podemos tirar do que nos sobra e dar a quem precisa. Ontem eu aprendia que para ser bom não é preciso ter nada. Basta ser bom. E não é a bondade de dar, achando que purgamos às vezes a nossa falta de responsabilidade com o semelhante, mas ser bom apenas porque é bom. Tenho certeza que aquela bala faria falta ao senhor pedinte, mas seu coração é tão grande e tão generoso que isto não vai significar nada, nem mesmo vai incomodar. Que Deus o conserve assim. A mim resta rezar por mim, para que isto me ensine a ser mais humilde e mas atento aos sinais de Deus. E para que este senhor tenha uma vida menos sofrida.

 

ANTONIO BRAGA

 


A Origem da Corrupção

agosto 6, 2007

O Brasil não é um país intrinsecamente corrupto.
Não existe nos genes brasileiros nada que
nos predisponha à corrupção, algo herdado,
por exemplo, de desterrados portugueses.

A Austrália que foi colônia penal do império britânico, não possui índices de corrupção superiores aos de outras nações, pelo contrário. Nós brasileiros não somos nem mais nem menos corruptos que os
japoneses, que a cada par de anos têm um ministro que renuncia diante de denúncias de corrupção.

Somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um jornalista ou alguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria. As nações com menor índice de corrupção são as que têm o maior número de auditores e fiscais formados e treinados. A Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes. Nos países efetivamente auditados, a corrupção é detectada no nascedouro ou quando ainda é pequena. O Brasil, país com um dos mais elevados índices de corrupção, segundo o World Economic Forum, tem somente oito auditores por 100.000 habitantes, 12.800 auditores no total. Se quisermos os mesmos níveis de lisura da Dinamarca e da Holanda precisaremos formar e treinar 160.000 auditores.

Simples. Uma das maiores universidades do Brasil possui hoje 62 professores de Economia, mas só um de auditoria. Um único professor para formar os milhares de fiscais, auditores internos, auditores externos, conselheiros de tribunais de contas, fiscais do Banco Central, fiscais da CVM e analistas de controles internos que o Brasil precisa para combater a corrupção.

A principal função do auditor inclusive nem é a de fiscalizar depois do fato consumado, mas a de criar controles internos para que a fraude e a corrupção não possam sequer ser praticadas. Durante os anos de ditadura, quando a liberdade de imprensa e a auditoria não eram prioridade, as verbas da educação foram redirecionadas para outros cursos. Como consequência, aqui temos doze economistas formados para cada auditor, enquanto nos Estados Unidos existem doze auditores para cada economista formado. Para eliminar a corrupção teremos de redirecionar rapidamente as verbas de volta ao seu devido destino, para que sejamos uma nação que não precise depender de dedos duros ou genros que botam a boca no trombone, e sim de profissionais competentes com uma ética profissional elaborada.

Países avançados colocam seus auditores num pedestal de respeitabilidade e de reconhecimento público que garante a sua honestidade. Na Inglaterra, instituíram o Chartered Accountant. Nos Estados Unidos eles têm o Certified Public Accountant. Uma mãe inglesa e americana sonha com um filho médico, advogado ou contador público. No Brasil, o contador público foi substituído pelo engenheiro.

Bons salários e valorização social são os requisitos básicos para todo sistema funcionar, mas no Brasil estamos pagando e falando mal de nossos fiscais e auditores existentes e nem ao menos treinamos nossos futuros auditores. Nos últimos nove anos, os salários de nossos auditores públicos e fiscais têm sido congelados e seus quadros, reduzidos – uma das razões do crescimento da corrupção. Como o custo da auditoria é muito grande para ser pago pelo cidadão individualmente, essa é uma das poucas funções próprias do estado moderno. Tanto a auditoria como a fiscalização, que vai dos alimentos e segurança de aviões até os direitos do consumidor e os direitos autorais.

O capitalismo remunera quem trabalha e ganha, mas não consegue remunerar quem impede o outro de ganhar roubando. Há quem diga que não é papel do Estado produzir petróleo, mas ninguém discute que é sua função fiscalizar e punir quem mistura água ao álcool. Não serão intervenções cirúrgicas (leia-se CPIs), nem remédios potentes (leia-se códigos de ética), que irão resolver o problema da corrupção no Brasil. Precisamos da vigilância de um poderoso sistema imunológico que combata a infecção no nascedouro, como acontece nos países considerados honestos e auditados. Portanto, o Brasil não é um país corrupto. É apenas um país pouco auditado.

FONTE:  http://www.kanitz.com/veja/corrupcao.asp

 


NOVOS POETAS – ATAÍDE LEMOS

agosto 6, 2007

Te procurando me encontrei

Na busca de você me encontrei
descobri o meu valor
redescobri quem sou
alguém que vivia escondido
camuflado e despercebido.

Na busca de você me encontrei
redescobri o sentido do amor
achei minha identidade
a qual acreditava ter perdido
e jamais ser encontrada
fazendo minha vida perder o sentido.

Na busca de você me encontrei
Dei-me conta da imensa dor
que convivia em mim ser perceber
que pouco a pouco
me estava a consumir
porem, anestesiado
deixava generalizar sem sentir.

Na busca de você me encontrei
descobri o quanto sou amado
por pessoas que vivem ao lado
fazendo-me feliz
mas que perdido numa aventura
só produzia amargura.

Ataíde Lemos

FONTE: http://www.ataide.recantodasletras.com.br


A mineira Adélia Prado, poesia e prosa com fé no chão

agosto 4, 2007

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Na poesia brasileira, Adélia Prado foi uma aparição. Uma súbita e bela aparição!

Seu editor, o mesmo que agora edita Oráculos de Maio (143 págs., R$ 15,00) e Manuscritos de Felipa (163 págs., R$ 17,00) na Editora Siciliano, Pedro Paulo de Sena Madureira, trabalhava, então, na Imago. Lembra-se hoje, como se tivesse sido ontem: na noite de autógrafos do livro Contato, de outro grande nome feminino da poesia brasileira, Marly de Oliveira, encontrou-se com o poeta Carlos Drummond de Andrade. Ao se despedir, o poeta falou-lhe de uma senhora de Divinópolis, que lhe mandara uns originais. “É um fenômeno poético”, pontificou.

A Imago funcionava numa sala anexa ao consultório do dono, o psicanalista Jayme Salomão. No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, o encarregado da seleção dos títulos literários da editora encontrou os originais de Bagagem, acompanhados de um bilhete de próprio punho daquele que era considerado o símbolo vivo da poesia brasileira, à época. Pedro ainda se lembra de haver lido os poemas de um fôlego só.

Eram textos impregnados de religiosidade cristã em todas as linhas. Mas a fé que transbordava dos poemas em nada era semelhante à crença torturada e complexa de outro católico e mineiro, o modernista Murilo Mendes. A poesia de Adélia transbordava de uma comovente felicidade simples, surgida do fazer cotidiano (foi ela quem acabou de escrever “a rotina perfeita é Deus”). É isso aí: seu catolicismo não é o dos doutores da Igreja, mas dos párocos de aldeia, como aquele personagem de As Chaves do Reino, de Cronin.

O cristianismo em Adélia não é um experimento metafísico, mas uma vivência cotidiana, doméstica. Uma poesia, perdoem o trocadilho, de fé no chão. Ela pratica sua crença religiosa à mesa, mas também na cama. Logo em seu primeiro livro, Pedro Paulo, ex-monge beneditino, portanto intelectual por excelência et pour cause antípoda na abordagem da fé cristã, encontrou uma força vital brotada do sexo, semelhante ao êxtase de grandes místicos, como São João da Cruz, que, aliás, como Honoré de Balzac e Chico Buarque de Holanda, tinha uma enorme sensibilidade para entender a mulher, como demonstra em seu “Cântico Espiritual”: “Ali me deu o seio / ensinando-me a ciência saborosa / e me dei sem receio / na entrega generosa / e ali mesmo prometi ser sua esposa.”

Essa (con)fusão entre o gozo carnal e o êxtase espiritual (cuja realização material é a estátua de Santa Teresa D’Ávila por Bernini em Roma) se fazia presente no livro da estreante, uma bela mulher na flor dos 40 e em plena vivência do sacramento matrimonial com José de Freitas. Essa característica ainda permeia sua obra, como demonstra em “Neurolingüística”: “Quando ele me disse / ô linda, / pareces uma rainha, / fui a cúmice do ápice, / mas segurei meu desmaio.”

O editor sentiu que a forte pulsação da vida real naquela poesia transcendia seu valor semântico, aproximando a mineira de Divinópolis mais da purificação pela proximidade do pecado, que marca a poesia do padre inglês Gerard Manley Hopkins do que no esteticismo (ainda que magnífico) da freira mexicana Sóror Juana Inês da Cruz. Tratou, então, de telefonar para a Autora e assegurar a exclusividade, antes que algum aventureiro tentasse dela lançar mão. Nem esperou reunir-se com o patrão para discar os números anotados pela letra caprichosa do Autor de O padre e a moça. Antes mesmo de o dono da Imago ficar sabendo da auspiciosa estréia, Adélia já estava comprometida com ele.

Adélia foi recebida no Rio de 1976 como convinha a um fenômeno literário descoberto por Drummond.

O ex-presidente Juscelino Kubitscheck compareceu ao lançamento de Bagagem. A estreante estava lá autografando um exemplar qualquer, quando uma mão deformada de mulher pousou sobre a sua. “Sou Clarice”, sussurrou a voz grave da dona da mão queimada. Reconhecendo a Lispector, cuja literatura tanto admirava, Adélia Prado tomou aquela mão salvada do incêndio, beijou-a e a pôs de encontro à face louçã. Depois, seria recebida na casa do descobridor com a presença de sua mulher Dolores – coisa rara.

Dona de casa mineira, Adélia é eucarística por excelência. A comida está presente em sua poesia desde sempre. Já no primeiro poema de seu mais recente livro, “O poeta ficou cansado”, ela apresenta armas: “Ó Deus, / me deixa trabalhar na cozinha, / nem vendedor nem escrivão, / me deixa fazer Teu pão. / Filha, diz-me o Senhor, / eu só como palavras.” “É pão de mirra, / come”; “louvai a Deus e reparti a côdea”; “Bate um grande desejo / de torresmos”; “Uma vez fizemos piquenique, / ela fez bolas de carne / pra gente comer com pão”; “Comi em frente da televisão / sem usar faca / e repeti o prato, / como os caminhoneiros que falam de boca cheia / e vi um programa até o fim” – é vasto o refeitório na poética de Adélia.

Mas sua eucaristia não se limita ao rito, à liturgia, ao sentido mnemônico que Jesus Cristo deu a sua última ceia. A mineira gulosa, lúbrica e convicta vai às últimas conseqüências, subindo aos céus também pelas catacumbas da escatologia.

Afinal, seu amor por Deus não reconhece limite algum: “Em lama, excremento e secreção suspeitosa, / adoro-Vos, amo-Vos sobre todas as coisas.” Seu poema “Paixão de Cristo” é um antológico exemplo de como leva a fé às últimas conseqüências. Para sentir seu impacto, basta ler-lhe a primeira metade: “Apesar do vaso / que é branco, / de sua louça / que é fina, / lá estão no fundo, / majestáticas, / as que no plural / se convocam: fezes.”

Aqui, o contraste entre o título sublime e a imagem sórdida, descrita sem subterfúgios nem tergiversações, já basta para consagrar o nome da autora desses versos entre os maiores e mais ilustres. Da mesma forma como torna explícito o caráter epifânico da linguagem poética, ela revela na eucaristia exatamente o que há de solene e corriqueiro na vida comum, de gente comum, como ela mesma e seu leitor cativado.

Talvez por isso, ela não se envergonhe da própria felicidade. Ao contrário do padre Hopkins, que queimava seus poemas para eliminar as provas de sua fraqueza ante a sedução sensual demoníaca das palavras, Adélia Prado produz uma poesia confessional, explícita e transparente.

Afinal, sendo leiga, não tem de enfrentar as estruturas rígidas da hierarquia católica, como Sóror Juana Inês da Cruz. Segundo ela mesma, “o mundo é ininteligível, mas é bom”; “e a vida é boa que dói”. A poesia, segundo Adélia Prado, serve para descomplicar o cotidiano complicado: “Tão fácil, um dia depois do outro.”

Para cumprir essa missão, ela pode ser elíptica, ao melhor estilo oswaldiano (como em “Arte”, de apenas dois versos muito curtos: “Das tripas / coração”); ou gaiata, como Ascenso Ferreira (”não como, não falo, não rio, / nem que o Papa se vista de baiana”). É sempre e permanentemente mineira, não uma mineira do pão de queijo, como Itamar Franco e sua patota, mas uma mineira do pão, pão, queijo, queijo, como seu descobridor Drummond. Quem lê um verso como “a obra de minhas mãos / é esta cozinha limpa” percebe logo e com clareza isso tudo. Mas, ao contrário do que ocorre com a obra de 99% dos outros poetas brasileiros em atividade, será impossível encontrar na sua indícios ou sobejos de João Cabral de Melo Neto.

Adélia Prado não tem escolas e, como os cristãos primitivos, não venera ícones, religiosos ou literários. Como concentra sua religiosidade na veneração ao Cristo em pessoa, a seu Pai e à Virgem, sua mãe, não revela preferência por santo algum, embora seja possível encontrar em seus versos referências que a aproximam de São Francisco de Assis, amigo das plantas e dos animais.

De qualquer maneira, não manifesta desapreço à hagiografia popular nem à galeria de intocáveis das letras. O máximo de irreverência a que se permite é quando não admite tergiversar a respeito do caráter místico da rosa, iniciando o poema “Teologal” com a negação ao célebre axioma de Gertrude Stein (”uma rosa é uma rosa é uma rosa”): “Agora é definitivo: / uma rosa é mais que uma rosa.”

Com medo de ser execrado pelo trocadilho infame, posso ir além e dizer que também é definitiva em seu caso a constatação de que a prosa é mais que uma prosa. Prosaica, certamente sua prosa não é, pois, em Manuscritos de Felipa, Adélia Prado situa-se permanentemente na vizinhança da poesia. A romancista também é religiosa e, da mesma forma como no verso, seu texto é sensível, arguto e microscópico na observação exaustiva da paisagem humana.

Sua poesia é enganosamente prosaica. O leitor superficial não sentirá falta de sua divisão em versos, sempre muito descritivos e de um ritmo imperceptível e sutil. Da mesma forma, sua prosa é ilusoriamente poética: ela não descreve, no sentido clássico de repetir o fluxo do tempo como se segue a correnteza de um rio, mas reproduz flashes de instantes. Estes compõem uma espécie de colcha de retalhos de uma forma tão heterodoxa que, também no romance, não é fácil pesquisar o DNA literário da Autora.

O crítico apressado encontrará pegadas do estilo da Lispector, mas, de fato ela admira, mas não a imita, ao contrário do que, mentirosa e traiçoeiramente, confessa, numa pequena frase perdida no meio do texto. Até não será exagerado dizer que a autora de Manuscritos de Felipa, de certa forma, seria uma espécie de anti-Clarice. Como no de Hemingway, mais importante do que o texto em Adélia é o subtexto, o oculto debaixo da frase, que sempre descreve algo aparentemente irrelevante.

Talvez não seja muito arriscado dizer que Clarice escrevia de dentro para fora. Ela mesma disse que escrevia como se costurasse – só que costura para dentro, e não para fora. Sim, pois, em sua literatura, o mundo externo é um espelho de seu interior. Poucas vezes, um escritor, em qualquer língua, se expôs de forma tão completa, tão direta e tão contundente como ela o fazia, em cada sentença.

Adélia, ao contrário, escreve como se preparasse permanentemente seu interior para receber a bênção da realidade, seja ela o produto sujo e fétido das entranhas ( “Vômitos são protestos”) ou o saldo magnífico da observação do belo (“A beleza cresce quando a entendo? Teodoro acha que sim”). Manuscritos de Felipa prova isso.

Como em sua poesia, em sua prosa o real é uma revelação. Horrenda ou bela, pouco importa, mas uma revelação. A Autora não espera manifestações da interioridade para registrá-la, pois é evangélica. Nada nela é simbólico, tudo manifesta o real. Lembrem-se que, na Eucaristia, a hóstia é (não representa) o corpo de Jesus e o vinho bebido pelo celebrante, seu sangue. Por isso, os antigos gregos não entendiam o Apóstolo São Paulo (que o poeta Bruno Tolentino citou ao escrever sobre Adélia na revista Bravo): na antigüidade politeísta tudo é mítico, simbólico, mas o fariseuzinho de Tarso lhes apresentou em suas epístolas a troca da representação pelo realismo judaico-cristão.

Na fé no chão da literatura de Adélia, o primado do simbólico do cristianismo do grande poeta Jorge de Lima, por exemplo, é substituído pelo primado do real. Ela é submissa à manifestação divina no real e imediato. O que mais deslumbra no que ela escreve é o escândalo da realidade expresso no sacramento.

Por José Nêumanne
in Jornal da Tarde, SP, Brasil

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde e autor de Solos do Silêncio – Poesia Reunida


POESIA

agosto 2, 2007

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…Poesia é dizer “abandono”
Prosa é escrever ” fiquei, estou abandonado”.

Antonio Braga


O Mito da Caverna – Platão

agosto 2, 2007


É o próprio Platão quem nos dá uma idéia magnífica sobre a questão da ordem implícita e explícita no seu célebre “Mito da Caverna” que se encontra no centro do Diálogo A República. Vejamos o que nos diz Platão, através da boca de Sócrates:

Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo saguão de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pescoço amarrados de tal modo que não possam mudar de posição e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde há uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por trás desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros estátuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos também que, por lá, no alto, brilhe o sol. Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por trás do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna.

Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver além das sombras das pequenas estátuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram cópias imperfeitas de objetos reais, eram a única e verdadeira realidade e que o eco das vozes seriam o som real das vozes emitidas pelas sombras. Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prendem. Com muita dificuldade e sentindo-se freqüentemente tonto, ele se voltaria para a luz e começaria a subir até a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele começaria a se habituar à nova visão com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, após formular inúmera hipóteses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e são muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitado. Suponhamos que alguém o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as várias coisas em si mesmas; e, por último, veria a própria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia, então, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignorância acerca das causas últimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria à caverna a fim de libertar seus irmãos do julgo da ignorância e dos grilhões que os prendiam. Mas, quando volta, ele é recebido como um louco que não reconhece ou não mais se adapta à realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, então, eles o desprezariam….
Qualquer semelhança com a vida dos grandes gênios e reformadores de todas as áreas da humanidade não é mera coincidência

 

Antonio Braga


GUARDAR

agosto 2, 2007


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

AUTOR:  Antonio Cicero

FONTE : http://www2.uol.com.br/antoniocicero


agosto 1, 2007

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Poetisa, professora, pedagoga e jornalista, cuja poesia lírica e altamente personalista, freqüentemente simples na forma mas contendo imagens e simbolismos complexos, deu a ela importante posição na literatura brasileira do século XX. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 07/11/1901 e veio a falecer na mesma cidade em 09/11/64. Casou-se duas vezes e deixou três filhas.Órfã desde tenra idade (aos 3 anos já perdera os pais e três irmãos que nem chegou a conhecer), foi criada pela avó Jacinta Garcia Benevides. Desde cedo habituou-se ao exercício da solidão, tendo precocemente desenvolvido sua consciência e sensibilidade. Começou a escrever poesia aos 9 anos de iddade. Tornou-se professora pública aos 16, destacando-se como aluna exemplar, merecendo a estima dos mestres. Dois anos depois iniciou sua carreira literária com a publicação de Espectros (1919), uma coleção de sonetos simbolistas.Entre 1925 e 1939 dedicou-se à sua carreira docente publicando vários livros infantis e fundando, em 1934 a Biblioteca Infantil do Rio de Janeiro (a primeira biblioteca infantil do país). A partir deste ano ensinou literatura brasileira em Portugal (Lisboa e Coimbra) e em 1936 foi nomeada para a UFRJ, recém-fundada.Cecília reaparece no cenário poético após 14 anos de silêncio com Viagem (1939), considerado um marco de maturidade e individualidade na sua obra: recebeu o prêmio de poesia daquele ano da Academia Brasileira de Letras. Daí em diante dedicou-se à carreira literária, publicando regularmente até a sua morte. Vários de seus livros são inspirados nas muitas viagens que fez, viagens estas de grande significação, pois a autora extraiu do contato com gente, costumes e idiomas diferentes matéria de melhor compreensão da vida e da humanidade.Entre os vários livros de poesia publicados após 1939 tem-se: Vaga Música (1942), Mar Absoluto e Outros Poemas (1945), Retrato Natural (1949), Romanceiro da Inconfidência (1953), Metal Rosicler (1960), Poemas Escritos na Índia (1962), Solombra (1963) e Ou Isto ou Aquilo (temática infantil, 1964).Escreveu também em prosa, dedicando-se a assuntos pedagógicos e folclóricos. Produziu também prosa lírica, com temas versando sobre sua infância, suas viagens e crônicas circunstanciais. Algumas de suas obras em prosa: Giroflê giroflá (1956), Escolha seu Sonho (1964) e Inéditos (crônicas – 1968).

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Retrato
“Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo
eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas
eu não tinha este coração que nem se mostra
eu não dei por esta mudança tão simples, tão certa, tão fácil
em que espelho ficou perdida minha face?”

FONTES:

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/ceciliameireles

http://www.revista.agulha.nom.br/poesia.html

ANTONIO BRAGA